A nova série sueca da Netflix, Young Royals, lançada no último mês, conta a história do príncipe adolescente da linha de sucessão do reino da Suécia que após se envolver em um escândalo é mandado para um colégio interno de referência da elite sueca.  Já pensou em uma história de realeza com reinos, reis, rainhas, princesas e príncipes onde o herdeiro do trono fosse homossexual? Seria um enredo de livro bem interessante para se escrever. Bem, esse é o principal tema da série, mas, ao contrário daquela forma clássica com castelos gigantes e roupas estonteantes, Young Royals trata o tema de maneira moderna e muito real.

Como o príncipe adolescente,Wihelm, chega no internato obrigado pela família, ele fica contrariado, desconfortável e querendo fugir dali. Mas, ele não esperava que conhecer Simon, o único estudante de família pobre que recebe uma bolsa de estudos no internato, fosse mudá-lo tanto, numa fase de descobertas sobre si e quem ele queria ser. Sem dúvida, a história mais interessante é a de Wihelm e Simon, a relação deles começa um pouco arrastada por causa de outro personagem que fica no pé do príncipe o tempo todo, mas depois as coisas começam a acontecer. É notável a importância dessa relação para a série, a transição da amizade para a paixão e o amor, do príncipe com o garoto de família pobre é um ótimo exemplo para a representatividade LGBTQIA+, um casal que tem química e um romance com muita coisa para acontecer.

É necessário ressaltar alguns personagens pela forma como eles foram muito bem construídos. A personagem Sara é irmã de Simon e também recebe bolsa de estudo no internato. Ela tem TDAH e é super autêntica e honesta, vive em busca de ser aceita e ter pelo menos uma amiga. Já Felice é uma patricinha popular do internato. Mas diferente do tipo de patricinha retratadas em filmes como “As patricinhas de Beverly Hills” com padrões de beleza, Felice é uma adolescente negra de família rica. “Esnobe” deveria ser sua primeira característica de personalidade, mas no fundo ela só quer ser uma adolescente simples que não precisa seguir as tradições da sua família. A relação entre Sara e Felice começa conturbada, fato que daria margem para uma disputa e rivalidade, porém a série toma um desfecho das duas muito diferente desses clichês de filmes como o citado anteriormente.

Um dos pontos fracos de Young Royals é que ela já começa te jogando de paraquedas em um reino que não é citado com personagens que não foram apresentados e muita coisa acontece em muito pouco tempo de uma forma mal explicada e resumida demais ao ponto de ficar exaustivo, tudo isso nos primeiros minutos de um episódio. A série só vem melhorar perto do terceiro episódio, após uma reviravolta. Eu diria que Young Royals é uma “A Elite” mais evoluída por causa das quebras de clichê. A Netflix já anunciou a segunda temporada, veremos como vai continuar o romance entre o príncipe e o plebeu.