No dia 02 de julho a Netflix lançou mais uma série original no seu catálogo, desta vez estamos falando de Warrior Nun que foi baseada em uma HQ dos anos 90. Na trama, um grupo de freiras pertencentes a uma ordem secreta da igreja católica lutam contra demônios para defender a humanidade.

Freiras lutando com katanas, padres armados, mistérios envolvendo os simbolismos religiosos e uma batalha contra o mundo sobrenatural. Fala sério! Não tem como não ficar curioso para ver isso, né? Não tem como não ser bom. Ou tem?

A série começa contando a história de Ava (Alba Baptista), garota tetraplégica recém-falecida que é trazida de volta a vida quando uma das freiras guerreiras insere o halo sagrado, relíquia protegida pela instituição e desejada pelos demônios, em suas costas como forma de escondê-lo . A relíquia devolve a vida a protagonista que se vê saudável, andando e com uma força fora do normal.

A trama é simples e traz toda a jornada do herói através da protagonista Ava, uma garota até então sem importância alguma que de repente é “escolhida” para portar um grande poder e lutar pela humanidade, fugindo inicialmente das suas responsabilidades, mas abraçando a missão no final.

Porém, apesar de ser algo bem clichê, o enredo gira em torno de elementos da religião católica e traz vários mistérios e discussões, ao melhor estilo Dan Brown, em torno dos simbolismos religiosos e isso é sempre muito interessante e um tema muito rico a se tratar.

A série brinca muito com isso: a protagonista se chama Ava (Eva), seu par romântico apresenta-se como JC (Jesus Cristo?), uma das feiras, que possui papel importante na trama, chama-se Lilith (que em alguns mitos seria retratada como a primeira mulher de Adão, teria sido expulsa do paraíso e virado um demônio, sendo acusada de assumir forma de serpente e influenciar Eva a provar o fruto proibido), entre outras referências bem sutis aos mais desatentos.

Os efeitos visuais são muito bons e funcionam bem, o que e importante em uma série como essa que traz seres sobrenaturais e superpoderes. As coreografias das lutas são outro ponto positivo, todas as batalhas são muito bem feitas, inclusive as contra os seres sobrenaturais. As locações são incríveis, realmente a produção da série caprichou bem.

Mas se você está esperando uma série com muita ação e maior aprofundamento nos temas e mistérios pode esquecer. Apesar da boa ação e de ter um pano de fundo muito amplo e cheios de temas interessantes, a série foca na autodescoberta da personagem principal tornando-se algo mais leve e teen que seria facilmente exibido pela CW.

isso por si só é ruim? Não! O grande problema é que a primeira metade da série, talvez mais, é extremamente expositiva e parece que absolutamente nada progride, a personagem principal chega a ficar chata, mesmo tendo um grande carisma, de tanto que dão voltas no roteiro em torno da mesma coisa.

Porém, se você tiver paciência e aguentar as idas e vindas do roteiro, muitas vezes para lugar algum, o final da temporada melhora muito com o desenrolar dos fatos e revela o enorme potencial da série, caso ela trabalhe melhor os temas levantados de forma rasa em todo o início.

O elenco é carismático e traz ótimos atores, a trama levanta questões muito interessantes sobre manipulação, limites éticos da ciência e religião, além da riquíssima mitologia dos anjos e demônios que sempre rendem ótimas obras na ficção. A primeira temporada termina te deixando um desejo de ver a conclusão da história, mas implorando que dessa vez eles foquem no que realmente importa e enrolem menos para ter mais tempo de contar sobre todos os mistérios e temas levantados. Um ótimo entretenimento nessa quarentena, mas que teria potencial para ser bem melhor.