The God of High School tinha tudo para ser bom, mas não passa de boas cenas de lutas, personagens carismáticos e trilha sonora marcante.

O anime The God of High School é baseado num manhwa (o mangá da Coréia do Sul) e foi produzido pelo estúdio MAPPA, estreando no Brasil em 2020. Ele foi exibido e tem o selo original da Crunchyroll, que deixou o público otaku em um hype absurdo depois do sucesso da sua outra produção original, Tower of God. A animação de GOH é primorosa, fluída e dinâmica. As lutas são eletrizantes e a trilha sonora empolgante.

    The God of High School conta a história de Jin Mori, um jovem de Seul, que entra para o torneio God of High School com o objetivo de enfrentar oponentes poderosos… e só. Aqui surge o primeiro problema do anime (ou posso ter ficado velho e chato, vai saber): a fraca motivação do Jin na sua jornada. Mesmo que seja padrão no battle shonen, o protagonista ter a ânsia de enfrentar inimigos poderosos e ficar mais forte, é necessário que ele tenha um motivo mais nobre ou maior para que o público se importe com a jornada que o herói vai trilhar. Mesmo que essa motivação não apareça nos primeiros episódios, isso pode e deve ser trabalhado no desenvolvimento da obra, coisa que não acontece em GOH.

    A história do anime também decepciona, não por ser ruim, mas por ser subaproveitada. De início é mostrado um poder absurdo e inexplicável de um dos personagens secundários destruindo uma ilha, dando indícios de que algo grandioso vai acontecer durante a temporada. O público também é apresentado a duas Mega Organizações, uma que quer destruir a humanidade (A Nox) e a outra que quer salvar (Os organizadores do God of High School). 

    Em seguida, a história se volta para Seul, onde é mostrado o dia a dia dos protagonistas, lutas na arena do GOH, os personagens são especialistas em suas devidas artes marciais, nada fora do normal. Mas, devido à cena inicial, o jovem otaku já está ansioso para ver o desenvolvimento daquele poder na série, descobrir mais sobre os vilões que querem destruiu o mundo, o hype já nas alturas. Isso acontece, claro, mas de uma forma tão jogada e mal feita que ninguém entende nada.

   Do nada um personagem luta com um espirito e uma foice, do nada eles dizem que aquilo é o charyeok, do nada todos os personagens liberam aquele poder…DO. NADA. Não tem treinamento, não tem história, não tem explicação, não tem nada, o anime se limita a dizer que é um poder adormecido de deus e que algumas pessoas desenvolvem e outras não. A Mega Organização quer acabar com tudo, a Nox é mais genérica e sem graça que vilão de filme da DC, ninguém realmente se importa com eles. O pior é perceber toda a mitologia por traz daquela narrativa, entender que cada deus tem um motivo para aparecer ali e o vislumbre do que aquela história poderia ser.

   Mas evidentemente, o anime não se resume aos seus erros. Como citado acima, as cenas de lutas são empolgantes e os personagens são muito carismáticos. Dawei e Mira, os amigos de Jin Mori, conseguem gerar empatia no jovem otaku e tem suas personalidades e motivos bem mais trabalhados do que o próprio protagonista. Os personagens secundários que aparecem nos primeiros episódios possuem um design bonito e próprio, até parece que vão continuar na história até o fim, mas infelizmente não é o caso. As cenas de luta iniciais, que se baseiam em artes marciais reais, são excelentes e as posteriores com o uso do charyeok são muito bonitas. Esses fatores conseguem segurar a atenção do telespectador até o final da série, mesmo que o final seja broxante e mal desenvolvido com o surgimento de um novo poder ainda mais grandioso… Aff, que coisa chata.

   Mesmo com todos os pontos negativos, The God of High School consegue sustentar os 13 episódios com o que a história poderia ser, com sua bela estética, com as batalhas intensas e com o carisma dos seus personagens, que podem e devem ser melhores desenvolvidos numa próxima temporada, tal como a história do anime.