E aí, seus nerds. Tudo bem com vocês? Esses dias estava navegando pela Netflix em busca de uma série diferente para assistir e me deparei com a produção de nome Suburra que tinha acabado de receber sua terceira temporada. Dei uma olhada na sinopse e vi que envolvia a máfia italiana, jogos políticos e os interesses obscuros dentro do vaticano, ou seja: uma gama de assuntos que sempre rendem boas histórias.

Coloquei o primeiro episódio para assistir e logo percebi que se tratava de uma grande produção. A série que teve sua primeira temporada lançada em 2017 é um prólogo do filme italiano de mesmo nome lançado em 2015 e ambos são baseados no livro homônimo lançado em 2014, escrito por Giarcarlo de Cataldo e Carlo Bonini.

A série se passa dois anos antes do filme e mostra os personagens mais jovens, a trama se foca na história do mafioso Aureliano Adami (Alessandro Borghi), o cigano Alberto “Spadino” Anacleti (Giacomo Ferrara) e do traficante Lele (Eduardo Valdarnini), filho de um policial que acaba se envolvendo de gaiato na confusão. No meio de uma disputa territorial, entre mafiosos, políticos e a igreja, de uma área extremamente importante para o controle de Roma, o destino dos três se cruza e eles acabam se unindo em torno de um objetivo em comum.

A série traz bastante violência, porém revela que acima da força bruta, o poder de verdade está na capacidade de influência e nos jogos políticos, algo bem Game of Thrones, só que da máfia. Ninguém está totalmente garantido em suas posições e a história vai escalando para um nível de tensão e incerteza onde você já não sabe mais de nada sobre o que vai ocorrer, o que é ótimo.

A série é muito bem dirigida e traz uma boa trama, porém o trunfo de Suburra está nos personagens! A relação criada entre Aureliano e Spadino é a melhor coisa da série, a interpretação de
Borghi e Ferrara dão vida a seus personagens, a química dos dois é impressionante e faz você se importar de verdade com cada fato e com o impacto de cada atitude dos dois. O público gostou tanto do Spadino que já tem uma galera pedindo um spin-off com ele, os roteiristas não descartaram a ideia, porém dizem que para o momento não pensam nisso.

O roteiro das duas primeiras temporadas é muito bem escrito, porém na terceira eles tomaram a decisão criativa de fugir do material base e seguir um caminho próprio para a série e isso quebrou um pouco a linha narrativa a ponto de ficar visível que os roteiristas simplesmente abandonaram algumas consequências e alianças da temporada anterior. A pandemia também atrapalhou bastante porque estendeu demais as gravações e deixou a produção ainda mais cara, o que parece ter apressado o final com uma temporada menor e mais corrida.

No entanto, isso não apaga todo o trabalho bem feito e a última temporada traz um final digno e emocionante, não tão grandioso quanto poderia, mas tão real, simples e impactante quanto deveria. O final me despertou o desejo de ir buscar mais material sobre a aquele mundo, agora quero ler o livro, ver o filme, quero um spin-off do Spadino e tudo mais que mostrar um pouco mais de Suburra.

Com atuações incríveis, trilha sonora envolvente e uma boa direção, Suburra é uma das grandes produções originais Netflix que muitas pessoas ainda não conhecem. Confesso que me apaixonei por esses personagens e queria muito ver mais sobre o cigano Spadino e seu amigo Aureliano. Que bom que ainda tem o livro e o filme (que encontra-se disponível no youtube).