Por: @marcus.leonidio

“Que a força esteja com você!”, “O lado negro da força!”, etc. Tantos clichês, tantos antagonismos, tantas lutas, tantas lições, que, apesar de fictícias e antigas, são assustadoramente reais e atuais.

 Ao longo dos seus 43 anos, a saga pode promover tantas reflexões quanto encantamentos com as maravilhosas batalhas com naves e seus canhões laser e torpedos de prótons; isso sem mencionar nas clássicas lutas iluminadas pelos sabres de luz (ah! aquele barulhinho mágico). Mas o que o Star Wars realmente tem a apresentar? O que é Força? O lado negro da Força? O Império? a Aliança? Ou seria apenas mais um filme? Suspeitamos que não.

Nietzchie em seu livro Além do Bem e do Mal, faz uma indagação pertinente para o nosso primeiro pensamento: como poderia nascer algo do seu oposto? O lado negro surge a partir da Força? Esta é uma questão que nos debatemos a muito tempo (milênios pelo menos), muito perceptível nas religiões, Deus e o Diabo estão conosco diariamente. Mas essa escolha acaba que por moldar nossos comportamentos e nos deixar um pouco tendenciosos a quem teremos empatia. Normalmente os heróis são os personagens principais e vencem (a Força) e o vilões são os malvados e perdem além de serem coadjuvantes, sempre baseados na cultura geral, vale salientar. Vou abrir um parenteses antes de ser crucificado, sim HeathLedger e Joaquin Phoenix estão ótimos e são bem malvados, pontos fora da curva. Então esse é o primeiro grande embate: O bem e o mal, a força e o lado negro da força, Deus e o diabo. Quem e por que seguir? Como a sociedade nos cria? ELa interfere na nossa escolha? Provavelmente sim, mas precisaremos de outras páginas para isso. E não se preocupem caso gostem de Darth Vader ou de Palpatine, a Síndrome de Estocolmo explica bem. Brincadeira!

 Outro ponto importante a ser comentado é a constante luta da minorias muito abordada em todos os filme da saga. Gandhi afirmava que um país deveria ser julgado pela forma como trata as suas minorias. Se fosse assim, possivelmente todos saberiam os resultados. Sempre as minorias sofreram todo tipo de atrapalho e por que seria diferente com o Império e a Aliança? Na sociedade atual e nos filmes é matar um leão por dia ou destruir uma Estrela da Morte por dia. Agora, é necessário pensar em como conceber as legítimas resistências que podem ser confundidas em atos violentos também? Quais as linhas que constituem esse tecido? George Lucas delimitou bem isso, deixou claro as ações e reações, as maiorias e minorias, quem ataca e quem contra ataca.

 Um terceiro e valioso ponto de abordagem, que, por sinal, tem ganho muita força na sociedade nos últimos anos: empoderamento feminino. A quatro décadas atrás Princesa Leia  já representava uma mulher à frente, segundo o conceito do colunista Ivan Martins: um “mulherão da porra”. Personalidade forte, inteligente, impositiva, destemida e temida (nem tanto). Quarenta anos inspirando não apenas os fãs mas também a sequência da saga  através da outra personagem a Rey, também um “mulherão da porra”, salvadora da galáxia, apesar dos clichês encontrados a sua volta. Cada uma no seu tempo, cada uma da sua forma, cada uma na sua geração, mas ambas merecem o seu local de destaque, que lhes faltou por uma série de fatores, dentre eles os preconceitos, a insegurança e fragilidade de uma sociedade predominantemente machista, pode parecer exagero, mas infelizmente não é.

E, por último, mas não menos importante, vale lembrar a participação negra na saga, ou a falta dela. Triste afirmar que a participação mais intensa é aterrorizante e pejorativa: o lado negro da força. Nosso querido Finn até que tentou a partir do Despertar da Força, mas “o herói é sempre branco”, citação essa que outrora me foi observado e posteriormente confirmado. Uma “falha” que é facilmente transgredida e percebida diariamente na nossa sociedade. Até as linhas aqui escritas sobre o tema são mais breves, tamanho fora o esquecimento. Já diria o monstro metaleiro da década de 80, James Heatfield (Metallica): sadbuttrue!

 Mas e agora, depois de todas essas linhas, de todo esse blablabla, qual a moral da história? Por que tudo isso? Finalmente a saga é boa ou ruim? E os personagens? Bem, aos que já assistiram: reflitam, mesmo um filme aparentemente “viajado” e sem nenhuma conexão com a realidade pode ter uma construção lógica, estruturada, racional e crítica; e, nove longas, são suficientes para montar toda e qualquer analogia. E, aqueles que ainda não viram, um conselho: vão de cabeça aberta, obviamente aproveitem cada efeito especial. Ah! Quanto ao que achamos de Star Wars, apesar de ser uma análise subjetiva: Sine quibus vivere non potest!

Que a Força esteja com você!