Em Westworld vemos anfitriões que buscam se libertar das cordas de uma narrativa imposta por humanos.

Liberdade. Essa é a causa pétrea de Dolores (Evan Rachel Wood) ao atingir o centro do labirinto, não só para ela, mas para toda sua “espécie”. Westworld então questiona: Anfitriões querem ser livres como os humanos, mas será que a humanidade é, de fato, livre?

Com a ideia de simplificar o roteiro e trazer mais ação ao público, a terceira temporada falha, como nunca, ao trabalhar um tema tão profundo de forma rasa e pouco orgânica. Há uma tentativa clara de deixar o texto mais acessível, entretanto, em vários momentos, o roteiro subestima o telespectador e frustra a audiência com cenas de ação mal dirigidas e decisões sem sustentação.

A fotografia é outro aspecto técnico que perde qualidade no novo ano da série. A história nos leva para Londres, Los Angeles, Dubai, mas nenhuma mudança visual é sentida. Isso porque os Diretores quiseram passar a ideia de um mundo monocromático, fazendo com que a série transitasse sempre em tons de preto, branco e cinza. Porém a temporada não é visualmente entediante como um todo. O quinto episódio produz uma sequência visual e sonoramente incrível, nos tirando da monotonia artística estabelecida até aquele capítulo.

Das atuações não podemos reclamar, uma vez que o elenco inteiro continua dando um show, com maravilhosas adições de Vicent Cassel, Lena Waithe e Aaron Paul. Contudo tenho que dardestaque para a Charlotte Hale (Tessa Thompson),com o roteiro mais fluido de toda a temporada. Por outro lado, Ed Harris precisa se esforçar um pouco mais para transformar suas falas em algo crível pelo público. Seu personagem tem, sem dúvida, o pior arco de toda série, desperdiçando ótimas oportunidades.

Os caminhos de Bernard (Jeffrey Wright) e Sttubs (Luke Hemsworth) são tão confusosquanto desnecessários. Mais uma subtração de personagens que antes entregavam bons conflitos e bons textos. Sem meios convincentes, ambos terminam com futuros animadores.

Os demais quesitos técnicos como maquiagem, direção de arte, trilha sonora, edição e mixagem de som, continuam inquestionáveis.

O grande pesar da terceira temporada é o descaso com o protagonismo feminino. Acompanhamos a jornada demulheres fortes e empoderadas, durante os dois últimos capítulos, onde a série defendia brilhantemente esse holofoteem seu roteiro e direção. Agora, a sensação é de que tudo ficou periférico com o surgimento do Caleb, personagem vivido pelo Aaron Paul, em troca de jornadas sofríveis das suas grandes protagonistas: Maeve(Thandie Newton) e Dolores.

Ao final, a lição é bem passada, mas a jornada perece em meio a quantidade exagerada de explosões e lutas corpo a corpo sem sentido. Assim que o espectador finaliza mais esse capítulo da história fica a sensação de que tudo poderia ter sido desenvolvido e compreendido com menos episódios. Algo contraditório de se pensar, já que se trata da temporada mais curta da obra.

Fico ansioso para que Lisa Joy e Jonathan Nolan (Criadores da série) nos encaminhe de volta paraWestworld da primeira e segunda temporada. Lá, os espectadores eram livres para pensar.