Por Jéssica Santana

Se você é uma pessoa que já participou minimamente de algum debate ou conversa envolvendo pautas sociais como (empoderamento feminino, questões raciais, causas da comunidade LGBTQ+…) provavelmente já ouviu ou leu a expressão: “Quem lacra não lucra”. Pois bem, trazendo isso para o mundo nerd será que essa máxima se aplica? É o que vamos tentar desconstruir a partir de agora.

Capitã Marvel foi um filme que foi lançado em meio a uma polêmica:  a protagonista do filme, Brie Larson, vencedora do Oscar de melhor atriz em 2016 por seu papel em “O Quarto de Jack”, é uma atriz feminista e engajada na causa das mulheres, e em uma das entrevistas de divulgação do filme ela falou que não estava interessada na opinião de homens brancos de meia idade sobre o filme, pois ele não foi feito para eles. Bastou isso para que fãs de filmes de super-heróis fossem nas páginas de críticas cinematográficas, como o IMDB, para avaliar negativamente o mais novo longa da Marvel mesmo antes de sua estreia, mas esse “boicote” durou pouco, ou melhor, foi insignificante diante da estreia avassaladora e diante dos números conquistados.

Capitã Marvel foi a maior bilheteria de estreia de um filme protagonizado por uma mulher, arrecadando US$ 455 milhões no mundo todo em seu primeiro final de semana, foi a segunda maior estreia da Marvel e a sexta maior da história; superando, por exemplo, Mulher Maravilha, filme da maior concorrente da Marvel que também tem uma mulher como protagonista, o filme faturou US$ 228 milhões na sua estreia. Além de ter uma mulher como protagonista, Capitã Marvel ainda tem uma mulher como diretora de um filme de super-herói, coisa que deixou algumas pessoas não muito satisfeitas. Ver uma mulher brilhar tantos na frente das câmeras como detrás delas em filmes com essa temática não é algo tão comum, talvez por isso não deve ter agradado muitos daqueles que não estão acostumados com essa visibilidade que as mulheres estão conquistando, mesmo que muito pouco ainda. E vejam bem, não estamos falando de que não gostou do filme simplesmente, mas sim de uma crítica e um ódio trazidos por questões preconceituosas.

Outro filme, também da Marvel, que deu o que falar foi Pantera Negra; considerado por muitos um dos melhores filmes desse seguimento. Pantera Negra é uma produção que exalta a cultura africana, cultura esse que durante muito tempo foi estereotipada nas telonas. Essa imersão nessa cultura e essa representatividade rendeu a Pantera Negra uma indicação ao Oscar de melhor filme em 2018, feito esse nunca antes conseguido por um longa de super-heróis, além da maior bilheteria da Marvel até hoje, só na América do Norte o filme arrecadou US$ 700 milhões.  

Alguns nerds mais “conservadores” (preconceituosos) vão continuar tentando desmerecer filmes que não se encaixem no padrão das produções de super-heróis que eles estão acostumados, mas que bom que eles são minoria, e que bom que esses filmes existem para trazer representatividade as telonas. É importante que meninas olhem para Capitã Marvel e sejam inspiradas por ela e que meninos negros possam se ver no Pantera Negra. Apesar do termo “lacrar” ser usado de forma pejorativa e com a intenção de diminuir causas tão necessárias ao atual momento da sociedade, chegamos à conclusão que sim, é possível “lacrar” e lucrar, os números estão aí para provar isso.


“Quando os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam barreiras, outras constroem moinhos de vento.”
Érico Veríssimo .

Façamos, portanto, moinhos de vento.