Imagine viver na Alemanha, parece bom, né? Agora imagine a Alemanha durante a ascensão nazista, horrível? Porque é. Baseado no best-seller mundial de mesmo nome, Quando Hitler Roubou o Coelho Cor-de-Rosa, narra a história de uma família judia que em plana ascensão do nazismo, decidem fugir da Alemanha, e como refugiados, tentam sobreviver, tudo é narrado sob o ponto da menina de 9 anos, Anna Kemper (Riva Krymalowki).

O filme obtém êxito em usar a inocência da infância para narrar acontecimentos trágicos, o filme começa com uma festa a fantasia, nessa festa vemos uma criança judia escondida debaixo de uma mesa, em poucos segundos vemos dois alguns anos mais velhas, vestindo uniformes nazistas e começam a espancar a criança, começando com essa cena forte, o filme já dita o tom que irá seguir a partir daí, transitando entre momentos de tristeza e alegria, perdas e vitórias.

O maior mérito do filme está em sua protagonista Anna, que começa como uma criança normal, brincalhona e sem malícia. Sem ter muita noção no começo do filme, ela cita uma frase dos discursos de Adolf Hitler (1889-1945), fazendo a saudação nazista, e nesse momento o seu irmão diz que a família é judia(A cena apesar de ser chave para o filme,ela pode incomodar algumas pessoas), e ao longo do filme a criança do início, amadurece e se torna uma pessoa totalmente diferente, e o melhor, quando você percebe, os créditos já terminaram de subir.

Quanto a sua direção, não tem muito o que falar, além de muito boa,quem comanda o filme é a veterana Caroline Link (1964-), que sabe muito bem, como trazer a sensibilidade necessária para os seus filmes.

Filmes que narram os horrores do nazismo sob o ponto de vista de crianças, não são novidade, temos como os exemplos mais famosos A Vida é Bela (1997), A Viagem de Fanny (2016) e JoJo Rabbit (2019), além de termos a história de Annie Frank (1929-1945), que volta e meia é adaptada no cinema e na tv, mas todas elas trazem pontos de vistas diferentes para um dos momentos mais sombrios na história da humanidade.