Por: @joegrafia

Não me leve a mal. Não sou um cara ranzinza que gosta de reclamar sobre qualquer obra de cinema que é feita pelas mega corporações como a Disney/Pixar e assim por diante… Mas não podemos simplesmente fechar nossos olhos e achar que tudo que é produzido pelos conglomerados Disney – O maior conglomerado de mídia DO MUNDO – é perfeito, muito bem estudado e sem seus defeitos. Depois de assistir a mais recente obra dos estúdios Pixar/Disney – Soul (que traz o primeiro protagonista negro da Pixar), tive que falar de meu incômodo através desse texto.

A Disney HISTORICAMENTE gosta de negar a cor dos personagens não-brancos em suas animações. Sim, os personagens negros, nativos e assim por diante EXISTEM, mas logo a historia que sua pele, vestimenta e cultura contam é negada… E é negadada de uma forma estranhíssima: Com a metamorfose de um personagem NÃO-BRANCO para um animal, um inseto, uma entidade, ou qualquer outra coisa que retire dele a sua pele, o seu corpo.

É um acontecimento muito sutil, mas que já acontece dentro dos filmes do estúdio com grande frequência. Para aquecer suas memórias lembro-os de Kenai (Irmãos Urso), que se transforma em um urso; Kuzko (A Nova Onda do Imperador), que se transforma em uma lhama; Lance Sterling (Um Espião Animal), que se transforma em um pássaro, e por fim Tiana (A princesa e o Sapo), que vira uma sapa no decorrer da animação. Agora em Soul (2020), nosso querido professor Joe Gardner se transforma em uma alma, aos 10 minutos de filme.

O fato é que o passado do conglomerado Disney já o condena; uma empresa que, em meio aos diversos posicionamentos cretinos do passado relacionados ao povo judeu, ao nazismo e ao fascismo, também já teve seus abusos quando nos referimos aos seus personagens negros. É uma pena que na primeira animação na qual temos um protagonista negro em cena, ele passe pela mesma ‘lavagem’ que todos os demais personagens não-brancos tenham passado. no @nerdspeaking vivo repetindo isso, e faço questão de repetir aqui: Mostrar um negro NÃO É representar a negritude. A Disney/Pixar ainda tem muito a mudar quanto a isto.