Paternidade

Após a esposa falecer, dia seguinte ao parto, Matt (Kevin Hart) decide seguir em frente com sua filha e não aceita a ajuda de sua mãe e sua sogra para cuidar da bebê, sendo um pai altamente responsável.

Com direção de Paul Weitz, Kevin Hart sai do seu papel cômico nos filmes e assume um personagem que respira responsabilidade, um pai. O novo filme da Netflix, lançado dia 18 de Junho, faz um mix de drama e comédia – tendo direito a algumas piadas sim, encaixadas no roteiro à respeito do lado realista de ser pai, porque tem situação que é preciso rir pra não chorar! Como fraldas sujas (dinheiro jogado no lixo – literalmente), cólicas, noites sem dormir, carrinhos dobráveis e ainda o fato de que você não tem pessoas com quem falar sobre toda essa loucura.

Como o nome diz, Paternidade acompanha um homem recém-viúvo descobrindo como ser pai, mesmo que ninguém coloque fé que ele vai conseguir dar conta de tudo. Incrédulo, ele mostra pra todo mundo que consegue sim! Ele faz o melhor que pode.

O filme é dividido em dois momentos diferentes, primeiro com os desafios de Matt com sua filha recém-nascida e depois com a menina aos 5 anos indo para o jardim de infância, enquanto ele se permite ter uma namorada, vivida por DeWanda Wise. Os acontecimentos são em um ritmo corrido, mas nada que prejudique o desenrolar da trama.

Tal divisão beneficia o enredo, trazendo um novo ar à trama nos 45 min do primeiro tempo!; pausa para sermos impactados com a atuação e profissionalismo da talentosa atriz mirim Melody Hurd, que possui uma dinâmica adorável ao lado de Kevin Hart. Sua relação de pai e filha gera uma identificação bem-vinda.

Paternidade

O longa-metragem da Netflix não mostra de perto cenas românticas e não coloca o dedo na ferida em momento algum. Nem mesmo quando as pessoas em volta de Matt perguntam onde está a mãe da criança e ele inventa divertidas desculpas. Ou quando o chefe oferece semanas de folga, permite que ele leve a criança para uma reunião de trabalho, ameaça demiti-lo e depois oferece uma promoção. Não soa como um reflexo real dos desafios de um pai solteiro negro nos Estados Unidos. É utópico, mas no filme funciona. Tem também a crítica que a produção faz sobre a questão de gênero e o vestuário ainda imposto para meninos e meninas na escola e na sociedade, impondo uma criança a usar uma saia – porque faz parte do uniforme das meninas. Na série The Bold Type, o personagem Oliver (estilista) diz que uniforme da escola é ótimo porque evita distrações e permite a criança a se concentrar no que realmente importa, mas são UNIformes, um único tipo.

E por que é um filme necessário? Tira o P e coloca o M no título em português. Você verá o quão difícil é o dia a dia de uma mulher. Ter que lidar com tudo, e ainda ter que escutar graça e no final das contas ser taxada como mãe ruim; não conseguir ter um relacionamento mesmo já estando em um. Da mesma forma que ele precisa de “um tempo para descanso” e deixa a filha com a sogra, as mães também precisam – e se for mãe e pai ao mesmo tempo… vixi!!!

E aí? Já assistisse o novo filme da netflix? O que achou? Você acha que é algo relevante?