O que é Transfake?

Refere-se a prática de atores cisgêneros (pessoas que se identificam com o gênero de nascimento) interpretando personagens trans e travestis (pessoas que não se identificam com o gênero de nascimento) em obras ficcionais. Essa problemática é uma analogia ao blackface. Pois na indústria cinematográfica, vemos isso acontecer repetidamente, anos após anos.

Esse nome foi dado pelo movimento trans em 2017. Algumas pessoas não gostaram e tentaram mudar para ‘transface’, em referência ao blackface, mas nós não aceitamos porque não é a mesma coisa. O transfake não ocorre somente na comédia, mas também no drama. O que as duas coisas têm em comum é a prática de excluir corpos, pretos e trans, dos espaços de criação de arte”, explica Renata Carvalho, fundadora do Movimento Nacional de Artistas Trans (Monart).

Por que não é legal normalizar?

Algumas obras vendem representatividade, mas é uma representatividade de fachada e completamente equivocada. Ao inserir transfake, anula completamente uma pessoa trans ou travesti de assumir esse papel, reforçando estereótipos e uma visão preconceituosa, caricata e negativa. Se tratando da sociedade trans, para as mulheres trans e travestis é ainda mais puxado, que acabam sendo interpretadas por homens cis em sua maioria.

Abaixo alguns exemplos de transfake:

Rodrigo Santoro (Lady Di) – Carandiru (2003)
Jared Leto, inclusive ganhou o Oscar 2014 na categoria de ator coadjuvante (Rayon) – Clube de Compras Dallas (2013)
Eddie Redmayne (Lili Elbe) – A Garota Dinamarquesa (2015)
Hilary Swank (Brandon Teena) – Meninos não choram (1999)

O mundo artístico precisa dar o espaço merecido a essas pessoas, que vivem e podem contextualizar a experiência vivida em tela e acrescentar na quebra dessas barreiras, pois isso será uma representatividade eficaz. É necessário reconhecer seus talentos, desmistificar o preconceito e destruir essa visão excêntrica dos corpos trans e travestis, pois só assim, vamos alcançar a humanização.

A evolução ainda é lenta, mas um bom exemplo que merece ser lembrado é o longa-metragem nacional Alice Junior (2019), protagonizado pela atriz Anne Mota interpretando uma personagem trans. Outras personagens marcantes são a Sophia Burset interpretada pela maravilhosa Laverne Cox em Orange is the New Black e a Jules Vaughn de Euphoria interpretada pela modelo e atriz Hunter Schafer.

Anne Mota – Alice Junior (2019)
Laverne Cox (Sophia Burset) – Orange is The New Black
Hunter Schafer (Jules Vaughn) – Euphoria

Se você se interessou pelo tema e quer saber mais, vale a pena assistir o documentário Revelação (2020) na Netflix, no qual nomes influentes transgêneros analisam e comentam o impacto de Hollywood na comunidade trans.