Prestes a finalizar a segunda temporada de The Handmaid’s Tail, estive acompanhando outras séries que tinha ouvido falar e me interessei: Alias Grace e The Alienist. Assisti ambas pelo Netflix.

As séries se assemelham em alguns aspectos, a começar pelo período que são retratadas, no século XIX. Uma era pós-revolução industrialde mudanças políticas, com aceleração do processo de urbanização das cidades e de mudança para as mulheres.

Chama a atenção a forma como a sociedade machista e patriarcal lidava com o início da emancipação das mulheres que lutavam para começarem a trabalhar, votar e ter voz ativa nas decisões sociais. Vou contextualizar as séries para vocês entenderem melhor.

Alias Grace

Baseada em fatos reais, esta série é uma adaptação de Margaret Atwood, mesma autora de The Handmaid’s Tail e acontece no Canadá. Vemos a sociedade do início da década de 1840, paternalista e machista, onde a mulher é tratada como objeto, com fins puramente reprodutivos.


Culpada ou inocente, Grace passou por muitos testes durante o tempo que ficou presa/ Reprodução: Netflix

Grace Marks, protagonista da série, é acusada de assassinato e vai para a prisão por 20 anos. Lá, sofre os mais diversos abusos físicos e mentais, e também passa por um hospital psiquiátrico, pois é considerada louca. Como já conhecia o estilo de Atwood, já estava “preparada” para o nível de violência e situações machistas apresentadas ao longo da série.

Toda esta rotina é descrita com a chegada de um jovem psiquiatra, convidado por um grupo religioso, que busca provar a inocência de Grace, com a missão de fazer um relatório sobre os anos de prisão de Grace.


O psiquiatra Simon quer provar a inocência de Grace e deve faze rum relatório específico sobre seu caso/ Reprodução: Google

É interessante observar o comportamento da personagem central e perceber até que ponto ela fala verdade ou não, e perceber como o psiquiatra desenvolve uma afeição por Grace. E lógico, cabe ao espectador julgar sua inocência ou não.

The Alienist

Baseada em um livro homônimo e produzida pelo TNT, a trama é ambientada em Nova York no final do século XIX, e gira em torno da investigação de uma série de crimes de um serial killer. Seu alvo: jovens travestis que se prostituíam nos bairros marginais da cidade. As mortes possuem toques de crueldade e o assassino vai deixando sua assinatura e tom pessoal em cada vítima.


Esse trio se une para desvendar um caso que a polícia de Nova York deixa passar/ Reprodução: TNT

No meio deste cenário, o Dr. Laszlo Kreizler, um psiquiatra, também conhecido como alienista, ou médico da mente, se une ao ilustrador do New York Times John Morre e a secretária do chefe de polícia, Sara Howard, interpretada por Dakota Fanning.

Sua personagem logo me chamou a atenção por retratar uma jovem que busca sua independência e é a primeira mulher que trabalha para a Polícia de Nova York, uma instituição dominada por homens. Sara é sozinha e solteira, constantemente desacreditada e alvo de piadinhas no setor, mas é firmeforte e comprometida com seu trabalho na investigação.

Ela atua no gabinete do inspetor Roosevelt, que a princípio não gosta de ideia de Sara envolver-se na investigação, mas depois a apoia. Tem o sonho de ser detetive.


Sara Howard, a primeira mulher a trabalhar no Departamento de Polícia de Nova York/ Reprodução: TNT

Alguns destaques da série são os personagens que não se mostram por completo, sempre escondendo algo, a diversidade de imigrantes na cidade de Nova York e o preconceito que sofriam, como os judeus, que não despertavam confiança dos americanos. A prostituição infantil e a corrupção instalada na polícia chamam atenção.

Semelhanças

Como assisti às duas séries seguidas, não pude deixar de notar semelhanças. Pela ambientação acontecer no mesmo século, percebemosas mudanças na sociedade àquela ápoca e o processo de urbanização: as ruas, cheias de lama, o lixo e esgoto a céu aberto, se  misturam às carruagens, os primeiros carros e às pessoas pelas ruas.

Também chama a atenção as mudanças sociais na época, a ainda forte presença das ideias e valores religiosos em sociedade, as crescentes descobertas da ciência e medicina e desenvolvimento da imprensa na formação da opinião pública, com muitos jornais instalados nas cidades.


Grace possui 16 anos, mas já travou diversas batalhas em sua vida/ Reprodução: Netflix

Enquanto Alias Grace se passa em uma cidade menor e parte no campoThe Alienist mostra a Nova York do final do século XIX, com seu crescimento populacional e problemas advindos deste fator. Podemos fazer um paralelo de cenáriocom Gangues de Nova York  e As Sufragistas (ficam as dicas). São filmes excelentes do mesmo período, que também exploram o crescimento das cidades.

Em comum também é a presença de personagens femininas fortes, retrato de como a mulher era tratada naquele contexto, e como lutam mesmo diante de tramas distintas. Criadas para a função de serem esposas, mães e nada mais, dedicando-se exclusivamente ao lar, muitas vezes eram vistas como loucas, sonhadoras e “portadoras de doenças da mente”.

Por isso eram comumente tratadas por médicos (um exemplo e uma história fantástica é esse filme aqui). Outros personagens femininos também possuem peso nas histórias e temáticas como o aborto, carreira, trabalho e gênerotambém são mostradas.


Assim é a Nova York na série: cinzenta, enevoada e cheia de problemas sociais devido ao crescimento populacional em pouco tempo/ Reprodução: TNT


Outra semelhança está nos cenários, e novamente o fator tempo de ambientação pesa: predominam tons de cinza, azul e preto. Poucas cores são exploradas e fotografia e iluminação das séries estão impecáveis.

O que aprendemos/evoluímos/queremos?

Dito isso, não pretendo me alongar, mas ficam aí uma série de dicas para quem adora um filminho ou série assistir e, acima de tudo, refletir, observar e perceber as conexões com nosso cenário atual: mudamos, evoluímos, pra onde vamos, o que precisamos conquistar?

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