Já leu a trilogia Sprawl? Escrito por William Gibson, Mona Lisa Overdrive é o terceiro e último livro da trilogia. Juntamente com Neuromancer e Count Zero, o romance serviu de inspiração para as irmãs Wachowski na produção de Matrix, filme que revolucionou a história do cinema.

Trilogia Sprawl, editora Aleph

Sinopse: No futuro, existe a matrix. Uma espécie de alucinação coletiva digital, na qual a humanidade se conecta para, virtualmente, saber de tudo sobre tudo. Uma das sensações do mundo virtual são os stims, narrativas sensoriais nas quais o espectador se coloca no lugar dos personagens. Angie Mitchell é uma das maiores estrelas dos stims. Mas ela também possui uma capacidade única – pode conectar-se ao ciberespaço sem o auxílio de qualquer equipamento. Kumiko teve que ir embora do Japão para não se envolver na guerra em que seu pai e todos os Yakuza estão metidos. Mona sonha e espera por uma chance. Adolescente, prostituta e sem perspectivas, tudo muda para ela quando lhe oferecem uma grande oportunidade. O que todas elas têm a perder? 

O autor “brinca” com a cibercultura, num tempo em que a humanidade está mais próxima à tecnologia. O autor usa termos como ‘Vodu’, da cultura africana, e mistura com tecnologia para nos causar aquele desconforto de fantasma-holográfico ou alma em corpo robótico.

A narrativa, diversas vezes, traz comparações do mundo dos famosos/super classe ser tão artificial e não mais tão humano. E ao mesmo tempo quem está fora do mundo dos famosos/classe média-baixa, ser tão humana, mas não tem muitas oportunidades. O ser humano é ser descartável ou parte de restos do mercado negro, que se torna realmente assustador o cenário em várias passagens com a nossa personagem Mona Lisa que é idêntica a famosa Angie.

É bastante impressionante o avanço tecnológico, onde a humanidade não é mais uma prioridade e sim a robótica, por questões políticas e sociais. A Matrix esconde vários segredos, vários lugares e o Sprawl tem um leque de nomes, sociedades que chega a ser difícil confiar nos personagens tão sombrios.

Nota: Neuromancer e Count Zero podem ser lidos separadamente. O retorno de Molly Millions foi fantástico. Ela é a melhor personagem criada pelo autor. Percebemos a revolta e a violência em uma mulher marcada por aquilo que se passa em Neuromancer. E o autor manteve uma fidelidade àquilo que ele havia escrito, o que é bastante positivo para o universo da história.