A mais nova minissérie dirigida e escrita por Mike Flanagan, responsável pela Maldição da Residência Hill e Mansão Bly. Nesse novo projeto também vemos no elenco rostos já conhecidos das produções anteriores. Entre eles, Kate Siegel, que nessa produção entrega uma atuação brilhante.

Missa da meia-noite é um drama que usa elementos do horror pra contar várias histórias que envolvem traumas, religião, morte e pós-morte, entre outras coisas. A trama se passa em um ilha que basicamente as pessoas vivem sua rotina e andam um pouco descrentes, e com a chegada de um novo padre, a comunidade presencia acontecimentos que os fazem reacender a fé, alcançando várias esferas, despertando o fanatismo religioso.

Se você assistir buscando susto, pode ser decepcionante, a questão aqui é outra, o elemento aterrorizante é bem mais complexo que um simples jumpscare. A série traz diálogos extensos e reflexivos beirando a monólogos sobre várias questões da vida. As transições são pesarosas com a intenção de oferecer uma imersão densa na atmosfera da ilha e da própria vida dos moradores com seus conflitos pessoais, cada um carrega uma bagagem dramática e a narrativa te mostra como cada um decide lidar com essas experiências.

Flanagan sabe usar bem a câmera, para propor suas ideias, brincando com ângulos e clichês para sugerir vários sentimentos aos espectadores. Ele vai te sugerindo o que vem pela frente, ao ponto de te fazer esperar pelo susto e consegue quebrar essa expectativa. A intenção é causar um incômodo e ele obtém sucesso no que se propõe.

Se você curte o gênero vale a pena maratonar, Missa da Meia-noite te entrega uma inquietante história cheia de alegorias que vai te fazer refletir sobre muitas questões, principalmente sobre religião e de como você guia os seus limites dentro desse caminho, destacando o perigo que é se deixar cegar em nome da fé e se agarrar a uma ideia desesperada.