por Kayque Almeida

Quando Justiça Jovem foi cancelada por não vender bonecos o suficiente, muitos fãs pediam incessantemente pelo seu retorno e, depois que a animação foi salva do cancelamento pela HBO Max, eles puderam respirar sossegados. Livre de diversas amarras que a Cartoon Network a colocava, a animação apenas amadureceu e cresceu junto com as pessoas que a acompanhavam, com seu núcleo original dividindo espaço com velhos e novos heróis, enquanto a trama só se intensificava e o perigo da Luz piorava.

Confesso que não esperava que o quarto ano da série seria dividido em tramas isoladas focadas em cada personagem da equipe original para trazer um maior desenvolvimento não só deles, mas também de um grande universo DC que tem se expandido cada vez na animação, junto de uma grande ameaça que a cada temporada tem se mostrado mais e que parece uma grande panela de pressão que a qualquer ponto vai explodir.

Se eu falasse de cada arco, essa análise ficaria gigantesca, mas o que eu posso falar é que os showrunners da série são bem competentes em aonde querem chegar e sabem bem como construir a enorme teia onde esses personagens estarão inseridos. Uma das críticas dadas na temporada passada foi o pouco foco dado nos principais, mas aqui cada um deles teve seus momentos e isso é um grande trunfo no novo ano. 

Esses jovens passaram já por muitas coisas, como abandono, exclusão, orfandade, além de diversos outros traumas e em cada arco pudemos ver como cada um deles estava tentando avançar, tentando resolver suas vidas e seguir em frente, ao mesmo tempo em que personagens secundários faziam suas aparições e tiveram seus momentos, como a Halo que se assume como uma pessoa não binária, ou o Razer, que teve sua história contada em outra animação, mas somente aqui ela encontrou uma forma de continuar.

Enquanto nas temporadas passadas pudemos ver temas, como abuso e violência doméstica e tráfico de crianças, a nova temporada de Justiça Jovem continua a abordar temas complexos, como depressão, controle de raiva e autismo sempre com bastante sensibilidade e empatia. Claro que isso é bem dividido em pouco mais de 20 episódios da temporada. Contudo, ao assistir, recomendo uma maratona focada em cada arco. Você pode até estranhar e pensar que não há conexão alguma e de fato não há entre os primeiros arcos, porém, foi necessário essa pausa na trama principal para desenvolver personagens e subtramas que gritavam por um olhar mais cuidadoso. Isso foi dado de uma forma impressionante que conseguiu me emocionar várias vezes.

Não sabemos até agora se a série terá uma quinta temporada, principalmente com os recentes cortes feitos nos programas da HBO Max desde a compra da Warner Bros pelo Discovery, mas tudo que tem ocorrido até aqui, nos leva para algo muito maior do que esperávamos. Encerro minha análise com um misto de satisfação e alegria por essa animação que conseguiu fazer tanto por esses personagens tão queridos.