A terceira e última temporada de Dark já está entre nós, estreou no dia do apocalipse na série, 27 de junho de 2020 e precisa ser contemplada e exaltada. Essa última temporada era muito aguardada, visto que, todo mundo queria saber o desfecho e finalmente entender todos os mistérios que a série lançou desde o seu início. Já adiantamos que todos os mistérios são solucionados ao longo dos 8 episódios. E a explicação é bem mais simples do que todos imaginavam e teorizavam. O que vimos foi uma obra de arte em formato de temporada.

O ritmo dos episódios é frenético, muita coisa para ser resolvida e explicada em pouco tempo. Seria interessante mais episódios? Até seria, porém, tudo ocorreu da forma que tinha que ser, afinal, não podíamos quebrar toda a sincronia do significado 8 na série, né verdade?

Se você ficou confuso com a primeira temporada e desorientado na segunda se prepare porque na terceira temporada o nível de complexidade da série só aumenta. O emaranhado de acontecimentos e as árvores genealógicas vai te embaralhar ainda mais. É preciso estar bem atento aos diálogos e a todos os acontecimentos para não perder os detalhes, porque é nesses detalhes que estão as respostas.

O cuidado minucioso da série é percebido em cada episódio, tanto na forma narrativa quanto esteticamente falando. A narrativa continua incrível. Os criadores Baran bo Odar e Jantje Friese já delimitaram como tudo iria terminar desde o início. Apesar de algumas escolhas questionáveis, eles conseguiram com maestria encerrar essa complexa história que foi Dark. Ainda que tenha sido uma tarefa difícil, porque o risco era grande.

Foram introduzidos novos conceitos físicos e filosóficos na série. Sabemos que Dark faz referência a várias questões científicas, religiosas e filosóficas. E aqui nessa temporada esses fatores são ampliados, ao mesmo tempo que eles tentam aumentar a complexidade buscam simplificar a apresentação, sendo observado em alguns momentos descrições até didáticas, usando alguns artifícios visuais e explorando os diálogos para obtermos tais explicações. As frases continuam bem escolhidas e enigmáticas.

A última temporada bebe da mesma fonte das temporadas passadas no quesito estrutural dos episódios, os primeiros 5 são para apresentação de elementos e questionamentos e os seguintes são para apresentação da busca da solução e o fator surpresa. É preciso estar concentrado para perceber e entender tudo que a série está te propondo, acredite, até os momentos das grandes revelações são feitos de forma enigmática, nas entrelinhas.

A trilha sonora é bem precisa e continua sendo um dos acertos da série. Consegue conectar e envolver o público. A fotografia está admirável, o trabalho todo é feito de forma caprichada. Afinal, agora não se trata mais de apenas situar o público em um mundo e sim em vários. A técnica utilizada é sensacional, usando efeitos climáticos para diferenciar os mundos e brincando com os tons frios e escuros em contraposição com tons mais saturados e amarelados.

A direção de arte, assim como, maquiagem e figurino foram feitos de forma esplêndida. Nessa temporada temos cicatrizes para servirem como aparato, que por sinal, também foi uma ferramenta que ajudou bastante o público a acompanhar a narrativa e se situar no tempo. Nos últimos episódios podemos visualizar os personagens envelhecendo freneticamente com o “passar e voltar” dos anos e foi uma tarefa executada espantosamente impecável.

Alguns personagens ganharam notoriedade, o que foi um ponto positivo e fundamental nesse desfecho. Algumas origens são esclarecidas, enquanto outros personagens que o público julgava importante, no fim das contas, nem eram tão relevantes assim. O elenco é o grande destaque dessa obra, continuam afinadíssimos e harmonizados. Trabalham de forma brilhante e as atuações desse final é de uma sensibilidade incrível. Destaque para Louis Hofmann (Jonas) e Lisa Vicari (Martha).

Algumas lacunas podem ter ficado em aberto, alguns acontecimentos não foram muito explorados e algumas situações podem até gerar dúvidas, mas o ponto aqui pode ser diferente se você mudar a sua perspectiva. A experiência de acompanhar o desfecho de Dark é sublime. Afinal, a série sempre foi isso, você esperava respostas e ela te jogava mais perguntas. Gerando questionamentos que te fazem refletir sobre questões complexas e algumas até simples, olhando por outro lado. Nem quando acaba ela termina.

O final é bem satisfatório, de fato, esse foi um fim agridoce, causando a sensação de um contentamento descontente. Após o epílogo e com os créditos subindo na tela ao som de Irgendwie, Irgendwo, Irgendwann da cantora Nena, você ainda vai estar extasiado tentando processar tudo que acabou de ver.

Dark é uma obra contemporânea de ótima qualidade que vai gerar um grande debate por um longo tempo e que vai deixar saudade, seja dos seus personagens e da sua complexidade, que o público amou teorizar. Sem sombra de dúvidas é uma das melhores séries da atualidade e a melhor série da Netflix com todos os méritos.