Estreou na última sexta-feira (19) a tão esperada nova temporada da série brasileira da Netflix, Coisa Mais linda. Depois do grande sucesso da primeira temporada o público estava ansioso para rever a obra depois do cliffhanger angustiante que foi deixado.

O segundo ano da série continua trazendo assuntos relevantes, como machismo, racismo, assédio, feminicídio entre outros que já tinham sido brilhantemente levantados na temporada anterior. Os discursos continuam fortes, emocionantes e as protagonistas estão excelentes. A história traz novidades bem interessantes para a trama e busca enaltecer o lugar da mulher na sociedade e que a sua voz não pode ser calada.

Porém, geralmente nas séries, ao decorrer das temporadas a narrativa vai evoluindo, mas aqui isso não foi sentido. Pelo contrário, parece que a história ficou dando voltas e voltas sem sair do lugar. A narrativa não se desenvolve, o que é uma pena, porque a produção tem muito potencial. Tudo foi acontecendo rápido demais, a impressão que deu é que foram poucos episódios para resolver tanta coisa. Além de ganhar um tom mais novelístico.

O artifício utilizado para impactar ao final da temporada passada, foi bem mal utilizado nessa segunda temporada, se era para abalar as protagonistas serviu só por algumas cenas e depois tudo voltou a normalidade. O assunto ainda voltava conforme os episódios avançavam, mas não surtiu efeito. Um acerto nesse novo ano é mostrar quase que didaticamente como o feminicídio pode ser romantizado, sendo definido como “crime de amor”. Além de mostrar como instituições formadas por homens brancos, totalmente dominada pelo patriarcado usam o falso moralismo para desmoralizar e desacreditar a mulher. Absurdos abomináveis que infelizmente ainda acontecem nos dias de hoje.

As protagonistas continuam com seus problemas pessoais, seus relacionamentos, lutas e questionamentos. Finalmente Adélia (Pathy DeJesus) ganhou mais espaço nessa temporada e tem o arco mais interessante, com algumas reviravoltas e cenas fortes, descobrimos mais sobre sua vida e conhecemos mais a fundo seus familiares, em especial sua irmã Ivone (Larissa Nunes). Ela é forte, decidida e chega para integrar o grupo das protagonistas e reforçar a luta da mulher negra. Mel Lisboa continua excelente dando vida a personagem Thereza, que por sinal poderia ter tido mais tempo de tela. Ela traz muito frescor e sagacidade a trama.

Em contrapartida, o elenco masculino não contribuiu tão positivamente assim, algumas atuações são insuficientes e soam como forçadas. Entre eles, em destaque, Pedro, marido de Malu (Maria Casadevall). O ator Kiko Bertholini pode ser até um bom profissional, mas sua atuação não convenceu. Tudo bem, que o roteiro queria que o telespectador de fato odiasse o que ele representava, seu ar vilanesco e seu cinismo, mas o texto e as atuações poderiam ter sido menos engessados. Ao contrário de Roberto (Gustavo Machado) que ganha destaque e rouba a cena em vários momentos ao lado de Malu.

A maquiagem e o cabelo, em alguns momentos ficaram muito artificiais. Mas a paleta de cores da série continua incrível e de bom gosto, assim como toda a direção de arte. O ritmo dos episódios é muito bom, consegue te envolver e você consegue maratonar em quase uma noite, porém o que mais fez falta foi um bom roteiro nessa temporada, parece que as personagens rodaram e não saíram do lugar e voltaram para os mesmos problemas do início da série. Do meio para o fim do último episódio você já consegue prever o que vem em seguida, devido a alguns artifícios que você já deve estar cansado de ver se repetir em outras produções. O fim não podia ser mais novelístico.

A segunda temporada poderia ter mais episódios e explorado mais alguns personagens, sem preguiça, sem ser de forma rasa. Os temas abordados são relevantes, necessários e merecem atenção e calma para serem observados. Afinal, esperamos tanto e queríamos mais história das nossas maravilhosas protagonistas. A série continua boa, mas a segunda temporada não consegue ser melhor que a primeira.