Thriller de ação, dirigido pelo italiano Ferdinando Cito Filomarino e produzido por Luca Guadagnino (Call me by your name, Suspiria…). O longa é protagonizado por John David Washington como Beckett e ainda traz Alicia Vikander como April.

Um casal americano está de férias na Grécia e um acidente trágico e inesperado acontece, trazendo consequências, esse casal é Beckett e April. Após esse acidente, Beckett se torna alvo de uma caçada local envolvendo conspiração política, onde ele corre para chegar a Embaixada americana.

Com imagens lindas da Grécia, o longa traz uma perseguição que beira filme de terror, com uma trilha sonora bem sugestiva, remetendo a alguns filmes dos anos 80. A maneira como os personagens são inseridos ao contexto é bem simples mas causam efeito a trama. Estamos numa história daquelas onde o público suspeita em quem o protagonista pode confiar de fato.

Beckett não tem treinamento para a ação, além de estar relapso ao cenário político do país que está visitando. Ele não sabe como escapar sorrateiramente da perseguição, como em filmes de ação e isso é exposto em diversos momentos, com as quedas que o personagem leva tentando fugir, assim como, seu ritmo lento e sua falta de preparo físico (O que vemos totalmente oposto do John David em Tenet), destaque para uma cena em que ele tenta roubar uma moto para fugir e não consegue.

O filme desde o inicio te sugere que algo vai dar errado e tenta isolar o protagonista no perigo iminente e solitário equilibrando tensão e ação, usando a barreira linguística como um elemento eficaz. Além de trazer um subtexto político, que é ótimo, mas quando a trama toda é revelada decepciona em algumas questões, pois não há desenvolvimento desse pano de fundo, não há grandes explicações do contexto político (quem não conhece sobre o assunto, pode não pescar algumas ideias) e algumas soluções poderiam ter sido extraídas, mas o roteiro acaba escolhendo o mais óbvio. Além de fazer parecer que Atenas é um ovo.

O salvador americano está diferente, ele é negro e não tem preparo de atleta, nem vai pra missão, como nos clichês de ação, em Beckett ele tenta fugir do caos político e acaba sendo arrastado para o próprio caos entrando de gaiato por estar no lugar errado na hora errada, além de não pretender salvar ninguém, só busca salvar a sua própria vida, mas em consequência disso, expande sua ação à vida de outras pessoas. Mesmo com muitos elementos que podiam tornar o filme muito bom, a impressão que fica é de que algo faltou, tanto na produção de algumas cenas, como no próprio texto, que buscou um final mais simbólico do que concreto.