Descrição da imagem: Foto colorida do personagem Norman Bates, na série Bates Motel, lado a lado de uma outra foto, em tons de preto e branco, novamente do personagem Norman Bates, só que desta vez, interpretado pelo ator do filme Psicose. Ambos têm a cabeça levemente inclinada para baixo, mas olham para frente com um sorriso malicioso.

Por Ane Aline (@aneurodivergente)

Você aí já deve ter assistido à série Bates Motel, que, aliás, tem uma fotografia interessante, os atores desempenharam bem os papeis, e os personagens foram bem construídos (Será que foram, mesmo?). 

Para quem não sabia, a série é baseada em um filme muito famoso, chamado “Psycho”, que por sua vez é baseada num livro homônimo (ou seja, de mesmo nome). No Brasil teve o título adaptado para “Psicose”. Você já deve ter visto a icônica cena em que uma mulher é atacada durante o banho, por um ser misterioso que empunha uma faca contra a personagem, através da cortina do banheiro.

Descrição da imagem: Cena do filme Psicose em preto e branco. Uma mulher de cabelos curtos está encostada à uma parede de cerâmicas pequenas, acuada, enquanto uma figura misteriosa segura uma faca apontada para cima, por trás da cortina transparente, de frente para a mulher, com intenção de esfaqueá-la.

Esta cena pertence ao filme, que foi dirigido pelo famoso Alfred Hitchcock. A série, no entanto, recebeu como título “Bates Motel” ou ainda “Motel Bates “.
Na série, Norma e o filho se mudam para uma nova cidade após a morte do pai de Norman. Sim, a mãe e o filho têm nomes bem parecidos, o que não seria tão estranho, se a relação dos dois não fosse tão ambígua. 

Norma é completamente ciumenta, possessiva e controladora; Norman, fora o fato dele se sentir sexualmente atraído pela mãe, faltam-me palavras para descrevê-lo, porque neste quesito há uma grande falta de entendimento dos autores sobre o próprio personagem. Ficou confuso(a)? Calma! Explicarei!

Freud lendo sobre a família Bates e se perguntando: “Mas que porra é esta?” (Piada/ironia. É só uma foto de Freud lendo algo que eu não sei o que é.)

Acontece que Norman começa a ter episódios de dissociação, algo que todos nós temos ao longo da vida. Sabe quando você se distrai e sua mente “voa” para longe? Pois é! Isto é dissociar, mas no caso de Norman, além da dissociação (que inclui desmaios e lapsos de memória), ele também desenvolve um alter para lidar com situações mais adversas. 

Alter é como se chama cada uma das identidades que se desenvolvem no Transtorno Dissociativo de Identidade. Apesar de dividirem o mesmo corpo, cada alter tem sua própria personalidade, sexualidade, gostos, e alguns podem até desenvolver doenças que os outros alters não partilharão, como diabetes, por exemplo. O cérebro da pessoa que passou por um grande trauma(ou diversos traumas) acaba desenvolvendo identidades distintas para lidar com situações de perigo, ou seja, é uma grande habilidade de sobrevivência. 

Como Norman, que vivenciou muitos episódios traumáticos, acabou desenvolvendo o Transtorno Dissociativo de Identidade(que há um tempo não muito distante, era chamado de “dupla personalidade” ou de “transtorno de múltiplas personalidades”).

No caso dele, um destes alters era uma representação da própria mãe; este alter, além de fazer cortinas, também era um serial killer(assassino em série), que tinha como passa-tempo guardar objetos das vítimas. 

Cena da série Bates Motel em que o ator que encena Norman Bates está vestido como as roupas que representam um alter feminino, baseado na mãe de Norman, Norma Bates. O fundo é escuro com um ponto de luz azul e um outro ponto de luz branca. O personagem aparece à frente, usando um vestido e uma peruca loira, que se assemelha ao cabelo da própria mãe. Ao fundo, sob um ponto de luz branca, está Norma Bates, morta.

Todas estas ações da personagem que representam um alter são completamente absurdas, sem qualquer relação com o Transtorno Dissociativo. É um circo dos Horrores 2.0 para exploração negativa de um transtorno.

As pessoas com Transtorno Dissociativo de Identidade não são especialmente perigosas, não devem ser isoladas da sociedade ou tratadas com preconceito. É válido lembrar que não somos alters em um sistema, não dividimos um mesmo corpo, mas ainda podemos proteger uns aos outros.