League of Legends é a maior referência MOBA da atualidade. Extremamente divertido, de jogabilidade intuitiva e personagens diversos e diversificados, o game atrai jogadores de todos as idades e gêneros. Lançado em outubro de 2009, League of Legends é um jogo eletrônico no estilo MOBA (Multiplayer Online Battle Arena) desenvolvido e lançando pela Rito Gomes (ou Riot Games). No game, os jogadores são invocadores que escolhem bonecos (campeões) para uma batalha com cinco amigos versus cinco inimigos. O objetivo do jogo é andar por trilhas, matar e não morrer, destruir torres, chegar na base inimiga, destruir uma joia gigante, e assim, finalizar a partida. A jogabilidade, estratégias, personagens do LoL são maravilhosos e o texto poderia muito bem seguir para essa temática, porém, o espaço aqui está aberto para abordar outra questão: uma leitura a respeito da toxicidade no jogo e problematizar (um pouco) o preconceito no servidor brasileiro.

Como assim toxicidade?

As partidas do League of Legends tem uma duração média de 20 a 45 minutos. Durante esse tempo todos os jogadores (amigos ou inimigos) podem se comunicar através de um chat, algo essencial para montar as estratégias do time, mas nem todo invocador faz bom uso dessa ferramenta: Ofensas de todos os tipos são trocadas no chat constantemente, sendo esse tipo de atitude é negativa por desestabilizar o jogador e prejudicar a fluidez da partida. Normalmente os xingamentos são infantis, porém, muitos players usam esse espaço para escancarar o seu racismo, homofobia e machismo.

Racismo e Homofobia no League of Legends

Estruturalizados e naturalizados no Brasil, racismo e homofobia são mazelas sociais que existem em toda sociedade, inclusive, no ambiente virtual. Não é difícil encontrar no chat do LoL ofensas de cunho racistas e homofóbicas no intuito de inferiorizar o player inimigo – o que agride diretamente a população negra e LGBQ+. Claro, os efeitos negativos dessas ações online são bem menores em relação as que ocorrem offline, mesmo assim é algo que precisa ser evidenciado, tanto para ter a noção da dimensão do preconceito arraigado na sociedade, quanto para tornar as partidas do League of Legends mais saudáveis.

Mulheres no League of Legends

Assediadas e atacadas assim que o gênero é identificado, as mulheres são as mais prejudicado no LoL. Sofrendo rage constante, “cantadas” e ameaças nas partidas, as minas acabam sendo inibidas de jogar ou muitas vezes optam por escolher um nickname masculino para fugir das agressões. Para alguns, isso pode ser a maior besteira – devido à naturalização do machismo – mas se torna algo extremamente sério ao evidenciar um fato grave na sociedade brasileira: homens ocupam todo e qualquer lugar, à força se preciso. Mulheres acabam não tendo vez nem voz em lugar nenhum, nem no ambiente virtual, e quando tentam se impor de alguma forma sofrem com as várias formas de violência.

E não, isso não é “mimimi”. Qualquer player de League of Legends pode constatar isso. Você, moça, quantas vezes sofreu assédio ou foi agredida numa partida? Quantas vezes desistiu de jogar porque sabia que ia ouvir muita merda machista? E você, cara, com quantas meninas você já jogou? Quantas vezes assumiu uma postura machista, como a mostrada abaixo?

Sim e daí? É só um jogo!

Não, não é só por causa do jogo. Ultrapassa os limites do virtual e ataca diretamente o real. Esses comportamentos refletem o que é a sociedade brasileira: racista, machista e homofóbica, estruturalmente falando. É perturbador, mas são as estatísticas, as notícias, o cotidiano brasileiro que evidenciam esse fato. E quando você, ou você, ou você é machista, racista ou homofóbico no jogo, está perpetuado uma cultura de ódio e violência que agride e mata pessoas na vida real. Então, players de League of Legends – ou qualquer outro game online – repensem suas ações e atitudes no game, pois se você ataca outras jogadoras e jogadores no virtual, certamente sua postura fora do jogo é de alguém preconceituoso – de forma consciente ou não.