O universo da Marvel é repleto de personagens femininas maravilhosas, poderosas, importantes e complexas. Mas como elas andam sendo representadas no âmbito cinematográfico?

A aparição de Natasha Romanoff, a Viúva Negra no segundo filme do Homem de Ferro lá em 2010 trouxe impacto, despertou curiosidade, mas veio carregada da visão engessada que muitos possuem sobre as personagens das Hq’s, sendo apresentada em roupas sensuais, com trejeitos de sedução, que os usa como arma e totalmente sexualizada. Uma visão que ainda é muito utilizada na cultura pop. Está mais do que na hora de explorar as habilidades desses personagens tirando esses estereótipos e a objetificação.

Por falar em estereótipos, nem sempre eles são ruins, chega a ser um recurso útil para a construção de um personagem, mas é difícil dar profundidade a uma ideia já programada. Muitos são utilizados na composição desses personagens e a Marvel usa e abusa deles em suas histórias. O mais comum entre eles é A Mulher na Geladeira, quando uma personagem feminina sofre qualquer tipo de violência ou chega até a morrer para servir como motivação para conduzir a narrativa do personagem masculino.

O que falar do arco da Viúva Negra em Vingadores Ultimato? Pois bem, você deve ter se emocionado, mas Natasha é um exemplo claro da Mulher na geladeira. Depois no mesmo filme, presenciamos uma cena girl power elaborada e bonita, com várias personagens relevantes cumprindo uma missão. A reflexão que fica é: Como construíram esse momento sem a primeira Vingadora? (Ela fez muita falta!). Claro que o momento tem a sua importância, pode ser considerado um avanço, mas ficou claro também que a Marvel tenta ganhar mais público com militância e vendendo uma representatividade que às vezes é questionável.

Outro estereótipo é o da Síndrome de Trinity, onde a personagem feminina é a coadjuvante hiper competente. Ela tem um baita potencial, mas que termina ficando à sombra do personagem masculino, porque é ele quem salva o dia. Um exemplo é a Gamora de Guardiões da Galáxia. Não podemos esquecer da Mulher Forte, a super poderosa que não consegue controlar seus poderes ameaçando causar um grande estrago, lembramos logo de Wanda, a Feiticeira Escarlate.

Algumas vezes questionam delicadeza e sensibilidade nos seus trejeitos chegando a discutir a sua sexualidade. Apesar desse da Mulher Forte ser muito utilizado na cultura pop, vem se percebendo uma alteração em sua construção, destaque para Carol Danvers a Capitã Marvel, ela usa sua própria história como motivação. Outra que se destaca é a Shuri de Pantera Negra, com uma bagagem de conhecimento e importância para a trama. Existem muitos outros exemplos, um estereótipo vai ajudando a criar outro e assim sucessivamente, o interessante é observar a evolução da representação desses personagens nessas histórias que amamos acompanhar.

De fato, há um movimento de mudança acontecendo, mas ainda é necessário mais avanço. Afinal, essas personagens merecem mais dedicação em suas construções e complexidades, além de serem donas de suas próprias jornadas, deixando de ser apenas recursos narrativos, muletas ou troféus de recompensa na jornada do herói. Vale a pena assistir as obras observando as características e influências machistas impregnadas, para fazer uma reflexão do que consumimos. Amamos essas personagens e queremos verdadeiramente empoderamento e representatividade sem serem usados de forma banal.