Estreou no último dia (09) na Netflix A Maldição da Mansão Bly, livremente baseada no livro de Henry James, A Volta do Parafuso, de 1898, além de trazer alguns personagens de outros enredos do mesmo autor. A série é uma antologia criada por Mike Flanagan, que também foi responsável pela A Maldição da Residência Hill que foi um enorme sucesso.

A série conta a história de Danielle Clayton (Victoria Pedretti) , que é contratada para trabalhar cuidando de duas crianças órfãs. Chegando na Mansão Bly, Danielle começa a ver coisas estranhas e presenciar acontecimentos bizarros, além de lidar com muitas questões internas.

A série tem uma proposta interessante, o roteiro é cheio de nuances e te leva para várias interpretações, ainda que em alguns momentos pareça estar dando voltas. Os personagens são explorados de forma atraente, a história vai evoluindo e consegue prender a atenção e despertar a curiosidade, mesmo com o ritmo de alguns episódios sendo maçante.

O elenco está muito bem, você vai reconhecer algumas caras que também estiveram na Residência Hill, mas isso não afeta de jeito nenhum a experiência. Aqui, eles são outros personagens que em nada lembram os papéis anteriores. As atuações são excelentes, mas o grande destaque é a dupla Amelie Bea Smith e Benjamin Evan Ainsworth (Flora e Miles), eles estão sensacionais e dão um show de interpretação. Que medo se deparar com essas crianças.

O design de produção foi muito bem elaborado (Perfeitamente esplêndido, fica a dica). A trilha sonora é bem executada e ajuda a dar o tom que a obra pede. Como na Residência Hill, aqui também existe algumas surpresas escondidas nas cenas, é ótimo para trabalhar sua atenção e percepção, mas se você vai esperando muitos sustos, melhor mudar sua expectativa. Alguns elementos utilizados ficam um pouco repetitivo ao longo dos episódios.

A série é um terror repleto de metáforas e dialoga com o sobrenatural de forma progressiva. Além de fazer uma reflexão sobre perdas, culpa e as diversas formas do luto. Utilizando as revisitações das memórias e os devaneios como ferramentas que enriquecem a narrativa. Os flashbacks são bem desenvolvidos e a série é ótima quando contextualiza situações do passado.

A Maldição da Mansão Bly é um enredo de terror, que envolve relações, drama e apego. Trazendo o amor e situações trágicas como o tema central. Ainda focando na dor e desilusão, transformando alguns sentimentos em figuras fantasmagóricas. Pode ser que não seja o tipo de terror que agrade a todos, mas trata de questões mais palpáveis do que qualquer simples jumpscare. Nos faz questionar sobre nossos medos, como: O medo de perder quem se ama, ou até mesmo esquecer ou ser esquecido por entes queridos. A narrativa é bem construída, forte e convincente. Com 9 episódios a série consegue ter um fim redondo e melancólico, apesar de alguns clichês.